sábado, 12 de julho de 2008

A QUEDA DE ASHTERION

"Estou deitado sobre meu próprio sangue... Traído, humilhado e mutilado.
Malditos sejam vocês seus traidores asquerosos.
Eu fui o grande lider dos exércitos alados, eu fui o protetor dos homens, o defensor dos deuses, eu fui o acolhedor, eu fui o primeiro filho de Odin... Agora sou simplesmente um farrapo, um homem jogado a própria morte pelos seus irmãos.
Eu amei-a com todo meu espirito, toda minha força e com todo o amor dos céus... Todo o amor que deveria existir em Valhalla, mas agora vejo que não se diferencia muito dos reinos inferiores.
Malditos!!!...
... arrancaram minhas asas e meu coração...
... estou fadado a morte indigna.
O que poderia eu fazer?
Eu que lutei batalhas seculares; eu que lutei contra os mais temiveis demônios para defender meu pai; eu que empunhei minha espada quando deveria ter-la deixado de lado; eu que busquei honra, glória, justiça e liberdade...
De todas as batalhas ganhas a única perdida foi a que mais me fez viver, a que me fez sentir como um humano, como um ser vivo. A única batalha que perdi: "O Amor".
O amor por Sammyala, filha de Nergal o famijerado lorde das trevas. Sammyala a Succubo mais bela e sedutora dentre todas as criaturas das fossas abissais do inferno; por ti me apaixonei meu amor, minha vida, minha alma...
Ainda me lembro quando te vi pela primeira vez adorada minha, lembro como se fosse ontem. Eu vagava pela terra em busca de paz e tranquilidade, como sempre fazia; lembro que chegara em um lindo e vasto jardim cheio de rosas e lá estava você com seus lindos cabelos vermelhos, seu corpo escultural, sua pele alva, os seios firmes e rijos, a boca fina e sensual. Era a beleza em pessoa, era a própria Afrodite. Estava cultivando e cuidando do jardin com plena serenidade, como se ouvisse uma música que mais ninguém podia ouvir. Mas eu ouvia e era o ritmo de meu coração.
Lembro de ficar estarrecido frente as suas formas, diante suas curvas simétricas e perfeitas. Seus olhos me mostravam o mundo, o mundo que nunca tinha visto... Meu coração batia acelerado e fugia pela garganta... Não há palavras ou pensamentos que descreveriam o que senti no momento em que virou-se e fitou os meus olhos com os seus, puros olhos de jade, e me presenteou com seu singelo sorriso.
"Ashterion" eu disse estendendo-lhe a mão, "Sammyala" você disse curvando-se em uma reverência ao mesmo tempo ousada e respeitosa.
Caminhamos por entre a relva, falamos da beleza da lua e da magnitude das tempestades; falamos do acalento do vento e da insinuante paixão do mar; falamos de mim e falamos de você.
Os dias passaram e o amor nos consumiu naquela cabana na floresta. Esquecemos o que eramos, de quem eramos; pensamos apenas em nós. No eu e no você. Dias e dias de paixão profunda, amor, caricias, prazer, histórias e aventuras. Juramos amor eterno e jamais nos separariamos...
Eu dedicado a meu pai acima de tudo, você prometida aos homens...
...
O tempo passou e vieram atrás de nós, anjos e demônios. Nos prenderam, torturaram e humilharam... Nos separaram...
"Meu amor, minha Sammyala eu juro pela lamina de minha espada flamejante que libertarei você das garras da escuridão nem que para isso minha existencia deva ser sacrificada...", disse olhando em seus olhos enquanto mãos e espadas me imobilizavam...
"Não meu amado Ashterion, prefiro a eternidade sendo sodomizada pelos tiranos do inferno do que saber que não vives mais, pois se morreres eu tambem morrerei. E assim não poderemos ficar juntos, pois não há um paraiso para o que somos."
Passaram decadas e seculos de prisão e tormento. Fiquei sem seu rosto para contemplar, sem suas mão para tocar, semsua presença para me apaziguar. A tristeza consumira-me de tal modo que apenas o ódio crescia dentro de meu peito.
Jurei destruir as bases do poder daqueles que me trairam. Mas vinha a minha mente apenas um nome: "Danmiel", meu melhor amigo. Traiçoeiro, mesquinho e canalha. Sempre maquinando minha queda em nome de minha patente de general.
Pela minha honra eu acabarei com sua raça traidor, perecerá pelo fio de meu aço.
Esperei pelo momento de minha soltura. Minha punição já chegava ao fim e eu contava os segundos para me ver livre e promulgar minha vingança.
...
Quando vi a luz pela primeira vez, quando o sol me tocou, foi como se sentisse Sammyala, seus braços a me tocar e seus beijos a me amar. Mas era Danmiel e sua corja que me esperava e não você.
Meu traidor amigo tornou-se, como suspeitara, general dos exércitos alados. Seu sorriso falso e suas lágrimas fajutas nem sequer me tocaram. Fingi ignorância perante sua traição.
Fui levado a frente de Odin e me inquiriram como a nenhum outro fizeram. Jurei lealdade a meu pai e escondi o amor ainda latente que sentia por Sammyala.
Aos poucos voltara ao meu lugar de honra. Primeiramente como soldado, depois capitão e comandante. Mas a cada palavra, ordem ou sorriso de Danmiel meu coração cuspia fúria e o ódio tomava conta.
Lutei e venci todos os desafios, mas ainda precisava do teu amor, da tua presença.
Não ousei só em pensar; invadi o abismo, enfrentando todo tipo de corja demoniaca, para te resgatar dos braços de teu amante infernal que por puro desgosto era meu maldito amigo. Ele não almejava apenas meu posto, almejava meu lugar, meu amor, minha Sammyala. Lutamos uma épica batalha onde trespassei com toda raiva e ódio contido o corpo de meu traidor irmão. Saira vencedor. Muito ferido, mas vencedor.
De volta a Valhalla todos souberam da traição do anjo Danmiel e de sua aliança com Nergal. Devolveram-me o posto, juraram-nos lealdade e proteção. Afrodite e Diana nos presentearam com a dádiva da alma, pois nosso amor era lindo, livre e rompera barreiras e mundos. Porem para outros nosso amor era proibido e pecaminoso, temiam uma criatura gerada por um anjo e um demônio e na calada da noite te levaram de mim. Para sempre.
Teu sangue ensopando nossos lençois. Teu corpo inerte e sem vida...
Movi céu e terra e lutei contra amigos e inimigos, por séculos. Promovi uma terrivel batalha em prol da vingança antes adiada e esquecida. Rebelde, me voltei contra todos... Mas não se pode lutar contra todas as criaturas do universo e sair vivo...
Eu te amo minha Sammyala e pra sempre vou te amar.
Estou indo ao teu encontro flor do meu jardin. Estou indo para ti e só para ti.
...
Ao Ser Humano

Fui criado pelo mesmo Deus que criou você.
Sinto frio, fome, sede, medo, dor, assim como você.
Por favor, não me use para se divertir, não me exponha ao ridículo, não me humilhe, não me maltrate e nem abuse de mim. Só o que quero é sua amizade e carinho.

Não peço que goste de mim, mas somente que me respeite.

Olhe nos meus olhos e depois olhe nos seus e verá como somos parecidos. No meu olhar você pode ver doçura, alegria, tristeza, desespero, amor ou sofrimento, e isso eu também posso ver no seu olhar!

Por capricho do nosso criador, não posso falar e nem me defender da brutalidade e crueldade dos seus semelhantes, mas se eu pudesse falar agora, diria a todos que eu também mereço viver e sou digno de respeito, assim como vocês....
Com carinho.
Um animal.

(Martha Maganha)

quarta-feira, 11 de junho de 2008

ASHTERION

O machado de Morrigan trespassa a lustrosa armadura de Kreator, o cavaleiro dos deuses. Os corvos, seguidores de Badbah, preparam-se para conduzir, através do véu da morte, as almas dos abatidos na batalha.
O sangue dos guerreiros salpica a terra de virtude, honra e coragem. As lanças avançam com brutalidade nas fileiras, tirando do caminho fracos e covardes. Escudos não resistem ao choque das lâminas, o bradar ávido e voraz dos combatentes de Odim afugenta os demônios de Acheron.
As trombetas angelicais soam com abrupta força aos ouvidos negros, fazendo com que as criaturas temam por suas vidas.
Os cães do inferno se agitam no meio de fiordes, os atrozes alados alvejam os defensores da luz e da ordem. Os diletantes do caos, os servos de Rasalom, racham crânios inocentes e leais a justiça e a liberdade.
No meio do feroz combate, uma traição cruel é executada. Irmãos de aço, filhos do cosmo, portadores das espadas flamejantes, avatares do senhor de Midgard; travam um trágico embate.
Ashterion primeiro arconte alado, a extensão da força de Odin, o mais poderoso dentre as criaturas do universo, mais forte que Hercules, mais poderoso que Thor... O anjo dos cabelos loiros e dos olhos de anil, o defensor da liberdade, da justiça, do amor, da honra e da glória. O combatente celeste é traído por seus irmãos angelicais. Por inveja, por poder, por medo ou lealdade os sibilantes traiçoeiros ameaçam a honra do destemido herói.
Anjos, demônios, lupinos, garous, vampiros, lémures e aparições. Todas as criaturas obscuras e invisíveis, todas elas malcumunadas, conspirando contra ou a favor do general dos exércitos dos céus. O protetor dos homens e amante das mulheres.
Seus bravos e leais companheiros caem um a um frente a fúria da maldita corja traidora.
Deuses negros, posicionam suas peças no tabuleiro astral, a guerra antes definida tem agora nova faceta abissal.
Sem ordem, sem capitão, os exércitos param, as armas e escudos são abandonadas, o bem sobrepujado pelo mau, a ordem esmagada pelo caos.
O bravo guerreiro alado some; seus restos enterrados com leais amigos. As ordas selvagens partem em busca do corpo moribundo, pois o mito precisa ser sepultado de uma vez por todas e assim alcançar o desequilíbrio.
Em outra parte, nas florestas terrenas, longe do campo de guerra, Ashterion "O Bravo", assiste seu meio-irmão Nephelin tombar sob laminas demoníacas. Em ultimo esforço o guerreiro se entrega ao frenesi e dezenas de inimigos sucumbem diante dele, fatiados em minutos por pura selvageria vingativa pelo aço do anjo de Valhalla.
Os ferimentos mortais vertem sangue, as asas farrapos da beleza de outrora, os ferimentos em abundância pelo corpo de Ashterion o levam a agonia da quase morte. O covarde ataque que sofrera de todos os anjos do céu, demônios do inferno, guerreiros da terra e seres ocultos; leva o destemido combatente das eras a derradeira morte.
Na beira de um rio, entre árvores e relva o herói cai, a lenda esvanesce, o anjo morre. Ashterion o anjo de Odin.