quarta-feira, 11 de junho de 2008

ASHTERION

O machado de Morrigan trespassa a lustrosa armadura de Kreator, o cavaleiro dos deuses. Os corvos, seguidores de Badbah, preparam-se para conduzir, através do véu da morte, as almas dos abatidos na batalha.
O sangue dos guerreiros salpica a terra de virtude, honra e coragem. As lanças avançam com brutalidade nas fileiras, tirando do caminho fracos e covardes. Escudos não resistem ao choque das lâminas, o bradar ávido e voraz dos combatentes de Odim afugenta os demônios de Acheron.
As trombetas angelicais soam com abrupta força aos ouvidos negros, fazendo com que as criaturas temam por suas vidas.
Os cães do inferno se agitam no meio de fiordes, os atrozes alados alvejam os defensores da luz e da ordem. Os diletantes do caos, os servos de Rasalom, racham crânios inocentes e leais a justiça e a liberdade.
No meio do feroz combate, uma traição cruel é executada. Irmãos de aço, filhos do cosmo, portadores das espadas flamejantes, avatares do senhor de Midgard; travam um trágico embate.
Ashterion primeiro arconte alado, a extensão da força de Odin, o mais poderoso dentre as criaturas do universo, mais forte que Hercules, mais poderoso que Thor... O anjo dos cabelos loiros e dos olhos de anil, o defensor da liberdade, da justiça, do amor, da honra e da glória. O combatente celeste é traído por seus irmãos angelicais. Por inveja, por poder, por medo ou lealdade os sibilantes traiçoeiros ameaçam a honra do destemido herói.
Anjos, demônios, lupinos, garous, vampiros, lémures e aparições. Todas as criaturas obscuras e invisíveis, todas elas malcumunadas, conspirando contra ou a favor do general dos exércitos dos céus. O protetor dos homens e amante das mulheres.
Seus bravos e leais companheiros caem um a um frente a fúria da maldita corja traidora.
Deuses negros, posicionam suas peças no tabuleiro astral, a guerra antes definida tem agora nova faceta abissal.
Sem ordem, sem capitão, os exércitos param, as armas e escudos são abandonadas, o bem sobrepujado pelo mau, a ordem esmagada pelo caos.
O bravo guerreiro alado some; seus restos enterrados com leais amigos. As ordas selvagens partem em busca do corpo moribundo, pois o mito precisa ser sepultado de uma vez por todas e assim alcançar o desequilíbrio.
Em outra parte, nas florestas terrenas, longe do campo de guerra, Ashterion "O Bravo", assiste seu meio-irmão Nephelin tombar sob laminas demoníacas. Em ultimo esforço o guerreiro se entrega ao frenesi e dezenas de inimigos sucumbem diante dele, fatiados em minutos por pura selvageria vingativa pelo aço do anjo de Valhalla.
Os ferimentos mortais vertem sangue, as asas farrapos da beleza de outrora, os ferimentos em abundância pelo corpo de Ashterion o levam a agonia da quase morte. O covarde ataque que sofrera de todos os anjos do céu, demônios do inferno, guerreiros da terra e seres ocultos; leva o destemido combatente das eras a derradeira morte.
Na beira de um rio, entre árvores e relva o herói cai, a lenda esvanesce, o anjo morre. Ashterion o anjo de Odin.

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